Combate à pobreza menstrual

Inciclo se junta à Cantão e ao Grupo Mulheres do Brasil em ação para doar absorventes reutilizáveis

Iniciativa visa ajudar o projeto Absorvendo Amor, que repassa itens de higiene para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade social

A menstruação, fenômeno do universo feminino que ocorre naturalmente todos os meses, torna-se um verdadeiro pesadelo para muitas meninas e mulheres por conta da falta de absorventes e uma estrutura adequada de higiene durante o ciclo menstrual.

Para atuar no combate a esse problema, chamado de pobreza menstrual, a marca de coletores menstruais Inciclo se juntou este mês à marca de roupas Cantão e ao Grupo Mulheres do Brasil, liderado pela empresária Luiza Trajano, para uma ação que visa doar absorventes reutilizáveis. A iniciativa busca ajudar o projeto Absorvendo Amor, focado em atender grupos em situação de vulnerabilidade social.

Esse panorama da pobreza menstrual tem ganhado destaque nos últimos meses em razão das consequências que podem causar entre as mulheres, sejam psicológicas ou físicas.

“Infelizmente, essa é a realidade de milhões delas ao redor do mundo. Direitos básicos como acesso a produtos menstruais, água encanada e um banheiro com privacidade são considerados itens de luxo em muitos países, inclusive aqui no Brasil”, explica Mariana Betioli, obstetriz e fundadora da Inciclo.

Tatiana Giglio, coordenadora de comunicação da Cantão, conta como surgiu essa iniciativa entre as duas marcas. 

“Em uma conversa com o Grupo Mulheres do Brasil, conhecemos a ONG e projeto Absorvendo Amor, desenvolvido pela estudante carioca Constanza Del Posso. Ela falou sobre os esforços da organização em coletar absorventes para meninas de escolas públicas que sofrem com a vulnerabilidade menstrual. As jovens já distribuíram mais de 100 mil absorventes no Rio e em São Paulo, um número bem expressivo. Então, achamos que seria bem interessante formar uma tríade de parceria, dando mais visibilidade a essa causa”, aponta.

Segundo as empresas participantes, a ação funciona da seguinte forma: a cada compra de qualquer peça da Cantão, um kit de absorventes reutilizáveis da Inciclo é doado para o projeto Absorvendo Amor. O kit conta com três absorventes laváveis e reutilizáveis – dois diurnos e um noturno. 

Pobreza menstrual é questão de saúde pública

No cenário nacional, cerca de 713 mil meninas vivem em casas sem banheiros e mais de quatro milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas, segundo o relatório “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”, lançado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) neste ano.

Além disso, uma estudante a cada quatro faltam à escola quando menstruam por aqui, seja por questões relacionadas à falta de acesso ao básico, por medo, vergonha ou pela combinação desses fatores. Portanto, a pobreza menstrual está ligada a inúmeros desafios, como evasão escolar, desigualdade de gênero e manutenção de tabus relacionados à saúde da mulher.

“Por não terem acesso ao básico, muitas mulheres recorrem a métodos improvisados e nada seguros para reter o fluxo, como pedaços de pano, papelão, jornal e até mesmo miolo de pão”, destaca Mariana. “Com essa ação poderemos trazer dignidade menstrual para uma parte desse grupo, além de aumentar a consciência da população sobre o tema. Convidamos a todos a darem uma força a essas e outras iniciativas. Higiene menstrual é direito e não um privilégio”, lamenta Mariana Betioli.

A menstruação é um processo natural do ciclo reprodutivo feminino e, ao contrário do que muitas de nós fomos ensinadas, não é sujo, errado ou algo que se deve esconder. 

“Falar sobre o tema pode ser uma das maneiras de combater a desinformação e a vergonha, além de criar a possibilidade de que as mulheres criem uma relação positiva com o seu próprio corpo. Buscar informações sobre o assunto, exigir políticas públicas e apoiar iniciativas de arrecadação de produtos de higiene são formas bastante válidas de ajudar a luta pela dignidade menstrual”, conclui Tatiana.

Publicado em 27 de agosto de 2021.

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Recomendado para mulheres com mais de 30 anos ou que já têm filhos.

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