Coletor menstrual: empoderamento feminino e saúde íntima

Falar de menstruação ainda é um tabu, pois é considerado um assunto para lá de desagradável. Mas isso tem mudado nos últimos anos, com o número crescente de brasileiras que têm defendido nas redes sociais um produto alternativo ao absorvente e alcançado o empoderamento feminino por meio da saúde íntima.

Seja por considerar o produto poluente, caro ou desconfortável, muitas mulheres têm optado pelo coletor menstrual. Mas o “copinho” – como é chamado popularmente – é uma invenção antiga.

O primeiro coletor menstrual, bem parecido com o modelo que é vendido hoje, foi patenteado em 1937 pela inventora e atriz americana Leona Chalmers. Por que, então, o coletor menstrual demorou tanto tempo para pegar? A resposta pode estar ligada a estigmas culturais que colocam os fluidos e o corpo femininos como ‘impuros’.

Para Mariana Betioli, obstetriz e fundadora da Inciclo, primeira fabricante nacional do coletor, o fato da pessoa ter mais proximidade com sua menstruação quebra o estereótipo de sujeira vinculada ao sangue.

“É comum pensar que a menstruação é nojenta, algo que deve ser escondido. É praticamente como se fosse um crime menstruar. Não pode deixar ninguém ouvir o barulho da embalagem do absorvente, deixar que ninguém veja o absorvente na bolsa, usar uma calça que vai marcar. Praticamente todas as mulheres já passaram por pelo menos algumas dessas situações. Até mesmo a palavra ‘menstruação’ parece suja, pois preferimos dizer que estamos ‘naqueles dias’”, diz.

O produto íntimo ajuda a reter o sangue ao ser colocado dentro da vagina. O líquido é armazenado por até doze horas, quando é recomendado retirá-lo, esvaziá-lo e lavá-lo com sabonete neutro antes de reinserir. Entre um ciclo e outro, a recomendação é fervê-lo em uma panela. O copinho pode ser usado por até três anos.

O coletor entra nessa história ao naturalizar os fluidos corporais da mulher, uma vez que ela terá, todo mês, contato com seu sangue menstrual. Essa relação, com o passar do tempo, faz com que ela alcance um poderoso autoconhecimento.

“Não precisamos virar especialistas em vaginas e saber tudo que acontece por ali, mas ter conhecimento sobre o próprio corpo é sim importante. E o coletor nos auxilia nessa missão de entender o ciclo. Nos faz perceber que não há problema algum em termos uma relação íntima com nosso corpo – muito pelo contrário. Afinal, o coletor não é apenas uma fraldinha que você cola na calcinha e pronto. Você precisa se conhecer melhor para usá-lo: se tocar, se sentir. E ao usá-lo, você se conhece melhor: seu cheiro, sua cor, sua textura, seu sangue”, aponta a obstetriz.

O mau-cheiro do sangue acontece quando a substância fica em contato com o ar. Já que o coletor coleta a menstruação dentro do corpo, o sangue não entra em contato com o ambiente e não entra em processo de decomposição, por isso não tem cheiro, tal como ocorre quando se usa um absorvente externo. “Uma mulher que sabe dessas reações, conhece a si, ao seu corpo, ao seu prazer, é uma mulher empoderada, que tem liberdade para fazer o que quiser. Esse benefício não tem preço que pague”, acrescenta.

Além disso, o copinho possui um ótimo custo-benefício por ser reutilizável. Para quem se preocupa com o meio ambiente, também traz vantagens, porque é ecológico e diminui o descarte de absorventes de plástico na natureza. Do ponto de vista da saúde, alguns benefícios do copinho também são evidentes.

No caso do coletor menstrual da Inciclo, que é feito com silicone hipoalergênico, o material dispensa o uso de qualquer substância química. Só esse detalhe já diminui de forma considerável a ocorrência de irritações na vagina.

Assim, a impressão ruim geralmente se desfaz depois do primeiro uso ou da troca de informações, pela internet, com outras mulheres que já usam o produto.

“Elas defendem que o uso do coletor é, de certa forma, libertador. Compreendem que o sangue da menstruação é sem cheiro, é limpinho e começam a olhar para ele com mais carinho”, descreve. As clientes da Inciclo fazem questão de dar depoimentos e compartilhar suas boas experiências. “Segundo as nossas pesquisas, 94% das que utilizam estão satisfeitas com o produto e recomendam para as amigas”, finaliza a fundadora da Inciclo.

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Calcinha Menstrual

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A

Recomendado para mulheres com mais de 30 anos ou que já têm filhos.

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B

Recomendado para mulheres com menos de 30 anos ou que não têm filhos.

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