Respeite minha TPM!

Um questionamento sobre o que a TPM pode revelar além do discurso óbvio

 

É mais uma desculpa para a coleção de tentativas de silenciar as mulheres: “Ahhh, você está de TPM”. Em outras palavras “cale a boca, você está fora da razão”. Porque nossa alteração hormonal é usada contra nós, num discurso machista e agressivo que tenta reduzir nossa capacidade de análise e crítica durante um período do mês?

Já pararam pra pensar que o “comportamento agressivo” atribuído a nós mulheres, é uma aproximação ao que se convencionou socialmente de um “comportamento masculino”? Basicamente, a TPM incomoda aos homens, pois é nesse período onde você se arrisca a falar mais sobre algumas coisas, a deixar escapar os seus incômodos sem se oprimir. Você expõe o que sente, o que vai contra tudo o que é ensinado a nós mulheres desde sempre. A TPM é o rompimento à norma do “engolir seco” e talvez por isso seja alvo de tanta cara feia, inclusive por nós mesmas.
A própria ciência trata a TPM como descaso, já que as pesquisas sobre a “tensão” são escassas e mal divulgadas. As que se aventuraram pelo tenebroso e assustador período estão relacionadas às consequências negativas dela, como a agressão, o sofrimento familiar, a interferência nos relacionamentos.

Segundo uma pesquisa da Universidade de São Paulo (cit.) ”Há um certo descaso ou talvez desconhecimento deste problema tanto na prática médica quanto em outras, como, por exemplo, na psicologia e na sociologia e, parece que a STPM não é problema de ninguém, ou melhor, parece ser problema de mulher. E quem estaria interessado em tal assunto?”. Aí está um ponto a se pensar a TPM! Quem realmente está interessado em pensar sobre o assunto? Ela pode esconder algo que é do interesse de uma sociedade patriarcal, que é diminuir a mulher em relação ao homem, quando há uma comparação de eficiência qualitativa. Invalidar uma mulher no período da TPM é dizer que ela rende menos, que ela não se controla, que ela é difícil de lidar e dominar. Por isso o discurso da TPM tem sempre contornos machistas e relativiza a eficiência e poder crítico da mulher.

Existem casos de descontrole hormonal que são clínicos, e para os quais há soluções médicas, claro. Não estamos invalidando nenhuma questão científica. Mas deixamos aqui a nossa reflexão a respeito do senso comum sobre um fenômeno tão natural que é o período pré-menstrual. Senso crítico não é TPM, exigir respeito não é estar de TPM, expor algum desagrado não é TPM, expressar o que pensa sobre algum fato não é TPM. Vamos olhar para ela com mais carinho e atenção.

Bibliografia da citação de pesquisa acadêmica: Marinelli M. Síndrome pré-menstrual: um problema de mulher? (dissertação) Ribeirão Preto (SP):Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. 1995.

 

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